quarta-feira, 14 de julho de 2010

O catador

Todos os dias, bem cedinho, eu ficava observando pela janela. Seu Emanuel acordava, arrumava-se pegava seu carrinho e ia trabalhar. Seu Emanuel catava latinha e tudo que desse para arrumar alguns trocados. Sua casinha era simples, tinha uma filha, era viúvo.
O que o pobre catador conseguia com o suor de seu trabalho sustentava a si e sua filhinha. Sempre que podia, levava alguma coisa para sua filha. Um dia eu o encontrei e começamos a conversar, ele me contou que tinha achado um relógio na rua e estava com medo de vender, pois não era dele.
Logo depois, Emanuel voltou ao lugar em que tinha achado o relógio e se deparou com um rapaz desesperado em busca de algo. Foi até ele e perguntou o que tanto procurava. Disse que estava em busca de um relógio que tinha perdido ali mesmo. Vendo a situação, resolveu mostrar o relógio que tinha guardado, o homem ficou feliz, pois era o dele. Disse que era muito valioso, porque era herança de seu pai. O rapaz vendo que Emanuel era catador de latinha, pediu que ele contasse a sua história a ele. Depois de tê-lo escutado, admirado com a história de vida do catador, resolveu recompensá-lo com uma bicicleta, para ele dar à sua querida filha.
O catador chorou de tanta alegria, e agradeceu muito ao rapaz.
Chegando em casa, chamou sua filha para fora; e eu ali na janela presenciando tudo. Ela chegou e seu pai pegou a bicicleta toda embrulhada de seu carrinho.
Seu Emanuel foi até ela e disse:
- É sua, minha filha!
Ela ficou alegre e muito feliz, pois nunca teve uma bicicleta, sempre andava com a de seu amigo. Logo desembrulhou, começou a andar e andar pela rua, brincava como nunca, e seu pai ficou realmente realizado.



Adriano Vinicius Silveira

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